terça-feira, 21 de julho de 2009

A FORMAÇÃO DO CENTRO COMERCIAL DE ARACAJU

Rua Laranjeiras - 1910
www.aracaju.se.gov.br/154anos


Rua da Aurora e sua feira - Década de 10/20 (atual Avenida Rio Branco)
CHAVES, Rubens Sabino Ribeiro. Aracaju pra onde você vai? Aracaju: Edição do Autor, 2004.




Rua da Aurora - 1926 (atual Avenida Rio Branco)
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Rua São Cristóvão - 1910
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Mercado Antonio Franco - 1926
www.aracaju.se.gov.br/154anos



Comércio da Rua João Pessoa - No canto esquerdo o Ponto Chic.
MELINS, Murillo.Aracaju Romântica que vi e vivi. Anos 40 e 50. 3ed. Aracaju: Unit, 2007, p. 39.



Ponte do Lima - Rua da Frente
MELINS, Murillo. Aracaju Romântica que vi e vivi. Anos 40 e 50. 3ed. Aracaju:Unit, 2007, p. 81.





Assim como outros Estados do Brasil, Aracaju possuiu e possui ruas que se destacaram no começo do desenvolvimento e expansão territorial da cidade. Ela é uma cidade diversificada em vários aspectos. Viveu e vive periodos acelerados e lentos durante toda a trajetória após a formação da capital, e é óbvio que de lá para cá ocorreram diversas transformações, tanto nos aspectos relacionados à cultura, como nas questões urbanísticas.
Analisar a evolução de uma cidade implica dizer e apontar quatro divisões de fases espaciais: a primeira sendo o período de implantação da cidade, a segunda a formação político-administrativa e econômica no Estado, a terceira a fase de crescimento espontâneo e por último a do crescimento acelerado.
Portanto, o período da transferência da Capital foi um momento turbulento e que causou opiniões diversificadas e contrárias. Depois de consumada a transferência, a cidade passou também por dois momentos diferentes: a formação e a consolidação do centro e a diferenciação interna, passando por um período transitório e significativo para Aracaju. Nesta perspectiva estes dois elementos foram fundamentais para as mudanças ocorridas no cenário de Aracaju, sendo um marco da nova trajetória.
Os registros da formação de Aracaju estão agregados à ostentação de atos administrativos - a construção do Porto e a expansão comercial - pois o que dificultava para o período era aterrar a área das lagoas e mangues que dominava todo o cenário da época, para posteriormente conquistar os espaços sólidos e edificar as construções.
O que estava em questão era o Porto, cuja finalidade era de estabelecer na capital e em outros espaços, laços comerciais. O Porto de Aracaju era pequeno, triste e prejudicava a indústria e o comércio. Aqui não chegavam as melhores e diversas mercadorias, nem desembarcavam os belíssimos moços e moças elegantes. O Porto dessa terra só recebeu frequentemente a visita de navios nacionais. De vez em quando é que navios estrangeiros entravam pelo Rio Sergipe.
Somente a partir de 1857 surgem os primeiros elementos formadores do centro histórico. A cidade crescia direcionando-se para o sul, ou seja, na Rua da Frente, estendendo-se às ruas Maruim e Estância. Entretanto ao norte a preocupação no investimento era difícil, pois lá estavam concentrados os grupos sociais desfavorecidos.
Devido a cidade ser fruto de um projeto político, coube aos administradores criar inovações para desenvolver o meio urbano, dando condições básicas de intervir no alinhamento e tipos de contruções da cidade, através de regulamentos. A partir de então surge o centro histórico e tradicional.
No século XIX o comércio varejista não despertava grandes atenções, inexistindo elementos típicos de urbanidade em suas primeiras cinco décadas, e o setor terciário, resumia-se a existência de alguns estabelecimentos comerciais. Nesse momento segundo José Wellington Carvalho Vilar: "o centro confudia com a cidade, e a cidade praticamente limitava-se ao centro".
Portanto, no início do século XX, o consumo da população resumia-se a poucos estabelecimentos comerciais de produtos básicos que estavam ligados ao Porto.
A cidade não podia possuir um comércio saliente, que se alteia acima do que o circunda, por causa de problemas de infra-estrutura, apresentando uma fisionomia de povoado.
Aracaju beneficiou-se com o preço do açúcar e algodão em 1914, após a eclosão da Primeira Guerra Mundial, iniciando a consolidação da infra-estrutura: construindo escolas, edifícios públicos, saneamento, implantação de água encanada e energia elétrica e rede telefônica. Entre as décadas de 20 e 30 várias construções foram edificadas através de decretos e leis, durante os governos de Maurício Graccho Cardoso(1922-1926) e Manoel Corrêa Dantas (1926-1930).
A ampliação do tabuleiro de xadrez, o aterro definitivo do centro, a criação de parques, fontes, enfim o embelezamento da cidade foi importante como eixo do desenvolvimento de Aracaju. A partir de então a cidade cresceu em direção ao norte, sul e oeste. A quarta zona de crescimento, o centro, se individualizou e perdeu as características que o confundia com a cidade, e limitáva-se à cidade. No centro concentraram-se as atividades terciárias, mercantis e administrativas, individualizando o panorama da cidade, proporcionando certo crescimento demográfico, econômico e urbanístico.
A partir de 1920, Aracaju vislumbrava um novo momento: o princípio da consolidação do centro e o crescimento do espaço central. "Embora depois de 1922, os habitantes se imaginassem respirando os ares da "modernidade" havia muito a fazer-se para o saneamento e profilaxia de Aracaju"(SANTOS, 2000, p 14). E para que fosse permitido esse crescimento do centro e a difusão da economia, houve uma ampla mudança.
Nas imediações do Porto foram construídos os mercados públicos, com ruas estreitas, formados pelos sacos de cereais. Eram ruas barulhentas e coloridas, com a presença de armazéns e lojas no mercado com vitrines e bijuterias.
Portanto este novo momento proporciona experimentar dois tipos de comércios opostos: um na zona comercial fino e elegante, localizado nas ruas João Pessoa e Laranjeiras, e o outro, o comércio popular, situado nas imediações do mercado, demonstrando a oposição entre as ruas elegantes e a do mercado.
Na década de 40, Aracaju era a grande praça comercial do Estado, tanto em número de estabelecimentos quanto ao número de empregados no comércio, consagrando-se como local das trocas, fazendo com que a população das cidades interioranas se deslocasse para a Capital a fim de abastecerem-se de produtos.
Na década de 50, Aracaju demonstrou sua grande importância, distanciando-se dos mais importantes centros industriais do Estado, tornando-se a principal contribuinte. Apresentava o maior número de operários e valor da população industrial, mantendo-se afastada das outras cidades.
Em 1960 continuou co o seu crescimento ímpar em relação ao resto de Sergipe. A interligação entre as linhas de ônibus regulares facilitou as comunicações entre as unidades municipais e a Capital. Observou-se ainda que mesmo os outros municípios que possuíam um comércio ativo, não conseguiam ter a mesma expressividade de Aracaju.
Entre 1960 e 1970 Aracaju passou por um crescimento ainda mais intenso, e tratando-se do número de empregados no comércio, a Capital possuía uma ascensão comercial superior ao interior do Estado. Em 1970, Aracaju era predominantemente urbana, e ainda atingia um distanciamento dos outros municípios.
Portanto, os fatores que proporcionaram a primazia urbana de Aracaju foram: o esvaziamento econômico do interior, o violento crescimento da Capital e o crescimento acentuado da população juntamente com o poderio bancário e comercial.



ANDRADE, Adênia Santos, FILHO, José de Oliveira Brito. O ir e vir das ruas João Pessoa e Laranjeiras(1920-1940). Monografia para obtenção do grau de Licenciatura em História, UNIT 2007.
SANTOS, Maria Nele. Aracaju na Contramão da "Belle Époque". Revista de Aracaju. Ano LIX. nº09, 2002.
VILAR, José Wellington Carvalho. Evolução da Paisagem Urbana do Centro de Aracaju. In: ARAUJO, Hélio Mário: O ambiente urbano: visões geográficas de Aracaju - São Cristóvão: Departamento de Geografia da UFS,2006.

Um comentário:

Unknown disse...

Fico mto triste qdo vejo fotos de casas antigas que marcaram a história de Aracaju serem demolidas, sem nenhuma justificativa. Estão apagando, como se fosse uma borracha no papel, a memória da nossa cidade. Nada sobrará para os nossos netos e bisnetos passar para seus descendentes a história da sua terra. É uma pena!!!