terça-feira, 14 de abril de 2009

De Estrada Nova a Avenida João Ribeiro

Avenida João Ribeiro e ao fundo a Igreja do Santo Antônio.
MELINS, Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi. Anos 40 e 50. Aracaju:UNIT,2007.

Avenida João Ribeiro vista do alto da Igreja do Santo Antonio.
Cartão Postal Coleção Allen Morrison.


Avenida João Ribeiro, vista do alto da Igreja do Santo Antônio.

BARRETO, Armando. Cadastro industrial, comercial e informativo de Sergipe,1934.

MELINS,Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi. Anos 40 e 50.Aracaju:UNIT,2007.



(...)No curto período de sua permanência em Aracaju, o presidente Inácio Barbosa ordenou que se fizesse uma ligação direta entre a cidade e o povoado Santo Antônio, obra que foi continuada pelo presidente Salvador Benevides, a cargo do engenheiro Pirro.
A nova estrada, em linha reta, atravessando as areias do Morro do Bomfim e seguindo por mangues, brejos, riachos e outros acidentes, iniciava-se "na encruzilhada da fonte do Coqueiro" (início da Avenida Carlos Firpo) e terminava na porta da igreja do povoado.
Tinha 700 braças craveiras de comprimento e 60 palmos de largura, o padrão de largura das ruas demarcadas por Pirro no "quadro da cidade". Ligava, simbolicamente, o passado ao presente, o antigo povoado à nova cidade que, ao norte, terminava na Rua Divina Pastora. Já imaginaram que bela perspectiva seria se Pirro a tivesse trazido até a Rua da Frente, terminando na esquina da Rua Laranjeiras? Mas o diabo do "quadro" era intocável.
Entre as justificativas de sua construção, relatadas pelo presidente Benevides, em fevereiro de 1857, uma reflete as condições reinantes na cidade: "facilitar o trânsito" (...) "dos habitantes do povoado, pela maior parte empregados públicos". Tal era a falta de habitações que os funcionários, moradores compulsórios da nova capital, tinham que residir a dois quilômetros do local de trabalho, através de caminhos tão atormentados.
O povo logo denominou o novo caminho de "Estrada Nova", denominação que vigorou até 1922, quando, em comemoração do centenário do Grito do Ipiranga, passou a ser Avenida Independência, malgrado ter largura de rua. Proporções de avenida ela vem ter, nos anos de 1932 e 1933, na gestão de Camilo de Calazans, que duplicou a sua largura, desapropiando casas e terrenos do lado leste, desde a Avenida Coelho e Campos até o topo do morro, onde modificou, profundamente, o seu acesso e ajardinou a praça que recebeu o nome de Siqueira de Menezes. Em alguns documentos da Prefeitura encontramos, em pedidos de licença para construção de casas, a referência ao nome de Avenida Santo Antônio. Tal nome não foi oficial nem teve apoio popular. Cremos tratar-se de atitude pessoal dos requerentes.
O nome de Estrada Nova e seu sucessor Independência ficaram restritos ao trecho entre a Avenida Coelho e Campos e a subida do morro, vez que a parte inicial, a que atravessava o morro de areia, foi denominada Rua do Socorro, parte que foi alargada na gestão José Garcez Vieira(1942-1945).
Em 1934, ao falecer o intelectual João Ribeiro, por sugestão do Instituto Histórico e Geográfico, o ato municipal nº 7, de 30 de abril de 1934, mudou o nome Independência para João Ribeiro, abrangendo toda a extensão entre a "encruzilhada da fonte chamada do Coqueiro",(...) "até a porta da igreja ou Capela de Santo Antônio", seguindo o critério, infelizmente abandonado, de se dar o nome de notáveis intelectuais sergipanos às avenidas aracajuanas.
Em 1958, foi ela amputada, ganhando o trecho inicial, até a Praça Princesa Isabel, o nome de Carlos Firpo.



PORTO, Fernando de Figueiredo. Alguns nomes antigos do Aracaju.Aracaju:Gráfica Editora J.Andrade Ltda, 2003 p 152-153.

3 comentários:

Blog da Dedinha disse...

Oi Adorei as fotos antigas, coleciono aqui no meu pc várias que vejo na internet, vi no seu perfil que você é professor e membro do IHGS, gostaria que você publicasse todos e jornais antigos de um material que tem (eu acho que ainda tem) ai no Instituto sobre o "tesouro de Jaboatão", hoje Japoatã. Fui visitar a biblioteca do IHGS anos atrás e vi as placas referentes a esse acontecimento guardadas numa gaveta, sem proteção alguma da ação do tempo toda descascando, tirei inclusive fotos na ocasião, achei uma falta de cuidado com peças antigas da história aqui de SE. Gostaria de saber se ainda existem e se você tem alguma fotos relacionada. Obrigada.

CLÓVIS BOMFIM disse...

Caro professor José de Oliveira Brito Filho,
Fiquei surpreso quando vi o meu trabalho, digo, "Retratos da História de Santo Amaro das Brotas", listado como fonte de referencia no seu “Blogger: Aracaju antiga”, um lisonjeio para esse humilde contribuinte, desejoso apenas, em referendar irmãos sergipanos na exposição de uma parte isolada da história do lugar.
Parabéns pela iniciativa, no árduo desvelo de nossas memórias, reconhecidamente íngreme, mas contraditoriamente prazeroso.

José Expedito de Souza disse...


Caro professor.

Muito bom o trabalho. Gostaria de manter contato por telefone.

(79) 32319438 98862.4458

Att.

Expedito Souza