sexta-feira, 1 de maio de 2009

Cadê você, Conceição?

Cadê você, Conceição
a sertaneja simples,
bela de ignorância
sadia e bela?

Você é a sepultura
da menina boa que você era.

Aracaju, na fantasia infeliz
do seu sonho de menina,
a cidade imensa, misteriosa,
enfeitada de luzes multicores,
como na cidade lendária,
acabou com você,
matou sua graça,
menina da roça!

Essa casa grande que você mora
é uma tapera,
muito mais tapera
que sua casa de palha
que ficou vazia de sua graça.

A cidade pequena onde você nasceu
espera o dia de sua volta
como um dia de festa
porque não sabe que você morreu.

Não volte nunca mais
à cidade pequena onde você nasceu,
porque, todos dirão,
olhando para você:
cadê você, Conceição?
Conceição, cadê você?


José Sampaio
Revista de Aracaju Ano XIX nº 7, 1962.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Comércio de Aracaju em 1920

MONTALVÃO, Elias. Almanach Sergipano - 1902.

A.Fonseca & CIA. - Avenida Rio Branco.
BARRETO,Armando. Cadastro industrial, comercial e informativo de Sergipe - 1938.



Teixeira, Chaves & Cia. - Rua São Cristóvão.
BARRETO,Armando.Cadastro industrial, comercial e informativo de Sergipe - 1938.



Armazém Lusitano - Rua Laranjeiras.
MONTALVÃO, Elias. Almanach Sergipano - 1902.



Bazar Nunes - Rua João Pessoa.
MONTALVÃO, Elias. Almanach Sergipano - 1902.



Casa Yankee - Rua João Pessoa.
BARRETO, Armando. Cadastro industrial, comercial e informativo de Sergipe, 1934.


Alfaiataria Moderna - Rua Japaratuba - Atual João Pessoa.
Revista de Aracaju - 1944



Aracaju em 1920 contava com 26 lojas de fazendas e armarinhos, 128 armazéns de secos e molhados, 6 escritórios de miudezas e fazendas, 8 farmácias, além de inumerável quantidade de quitandas e pequenos armazéns dispersos, 37 escritórios de comissões e consignações, 9 escritórios de fazendas, 10 escritórios de exportação de açúcar, 17 de sal, 4 lojas de ferragens, 12 armazéns de estiva, 1 exportador de couros, 3 tabacarias, 3 lojas de calçados, 1 de estiva e miudezas, 1 fábrica de camisas, 3 livrarias-papelarias, 2 saboarias, 2 fábricas de óleos, 3 de chapéus-sol, 01 de gelo, 1 serraria, 6 refinações de açúcar, 4 torrefações de café, 2 fábricas de vinagre, 2 de vinhos, 7 funilarias com máquinas, 1 selaria, 1 loja de modas, 1 fábrica de camas, 1 armazém de louças e vidros, 2 armazéns de madeira, 11 padarias, 3 padarias a vapor, 7 tipografias, 4 fábricas de móveis, 10 de calçados com mecanismos, 2 fábricas de molas, 1 de bebidas gazozas e 5 casas de café.




SILVA, Clodomir. Albúm de Sergipe 1820-1920. p 147/148.

terça-feira, 14 de abril de 2009

De Estrada Nova a Avenida João Ribeiro

Avenida João Ribeiro e ao fundo a Igreja do Santo Antônio.
MELINS, Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi. Anos 40 e 50. Aracaju:UNIT,2007.

Avenida João Ribeiro vista do alto da Igreja do Santo Antonio.
Cartão Postal Coleção Allen Morrison.


Avenida João Ribeiro, vista do alto da Igreja do Santo Antônio.

BARRETO, Armando. Cadastro industrial, comercial e informativo de Sergipe,1934.

MELINS,Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi. Anos 40 e 50.Aracaju:UNIT,2007.



(...)No curto período de sua permanência em Aracaju, o presidente Inácio Barbosa ordenou que se fizesse uma ligação direta entre a cidade e o povoado Santo Antônio, obra que foi continuada pelo presidente Salvador Benevides, a cargo do engenheiro Pirro.
A nova estrada, em linha reta, atravessando as areias do Morro do Bomfim e seguindo por mangues, brejos, riachos e outros acidentes, iniciava-se "na encruzilhada da fonte do Coqueiro" (início da Avenida Carlos Firpo) e terminava na porta da igreja do povoado.
Tinha 700 braças craveiras de comprimento e 60 palmos de largura, o padrão de largura das ruas demarcadas por Pirro no "quadro da cidade". Ligava, simbolicamente, o passado ao presente, o antigo povoado à nova cidade que, ao norte, terminava na Rua Divina Pastora. Já imaginaram que bela perspectiva seria se Pirro a tivesse trazido até a Rua da Frente, terminando na esquina da Rua Laranjeiras? Mas o diabo do "quadro" era intocável.
Entre as justificativas de sua construção, relatadas pelo presidente Benevides, em fevereiro de 1857, uma reflete as condições reinantes na cidade: "facilitar o trânsito" (...) "dos habitantes do povoado, pela maior parte empregados públicos". Tal era a falta de habitações que os funcionários, moradores compulsórios da nova capital, tinham que residir a dois quilômetros do local de trabalho, através de caminhos tão atormentados.
O povo logo denominou o novo caminho de "Estrada Nova", denominação que vigorou até 1922, quando, em comemoração do centenário do Grito do Ipiranga, passou a ser Avenida Independência, malgrado ter largura de rua. Proporções de avenida ela vem ter, nos anos de 1932 e 1933, na gestão de Camilo de Calazans, que duplicou a sua largura, desapropiando casas e terrenos do lado leste, desde a Avenida Coelho e Campos até o topo do morro, onde modificou, profundamente, o seu acesso e ajardinou a praça que recebeu o nome de Siqueira de Menezes. Em alguns documentos da Prefeitura encontramos, em pedidos de licença para construção de casas, a referência ao nome de Avenida Santo Antônio. Tal nome não foi oficial nem teve apoio popular. Cremos tratar-se de atitude pessoal dos requerentes.
O nome de Estrada Nova e seu sucessor Independência ficaram restritos ao trecho entre a Avenida Coelho e Campos e a subida do morro, vez que a parte inicial, a que atravessava o morro de areia, foi denominada Rua do Socorro, parte que foi alargada na gestão José Garcez Vieira(1942-1945).
Em 1934, ao falecer o intelectual João Ribeiro, por sugestão do Instituto Histórico e Geográfico, o ato municipal nº 7, de 30 de abril de 1934, mudou o nome Independência para João Ribeiro, abrangendo toda a extensão entre a "encruzilhada da fonte chamada do Coqueiro",(...) "até a porta da igreja ou Capela de Santo Antônio", seguindo o critério, infelizmente abandonado, de se dar o nome de notáveis intelectuais sergipanos às avenidas aracajuanas.
Em 1958, foi ela amputada, ganhando o trecho inicial, até a Praça Princesa Isabel, o nome de Carlos Firpo.



PORTO, Fernando de Figueiredo. Alguns nomes antigos do Aracaju.Aracaju:Gráfica Editora J.Andrade Ltda, 2003 p 152-153.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Rua Marechal Deodoro da Fonseca

Ladeira da Rua Marechal Deodoro - Foto atual
Foto: José de Oliveira B. Filho


Rua Marechal Deodoro, trecho entre as Ruas Riachão e Aristides Bispo - Foto atual.
Foto: José de Oliveira B. Filho

Ladeira da Rua Marechal Deodoro da Fonseca
Jornal Gazeta de Sergipe nr. 3.206 de 31.05.1967.



Rua Marechal Deodoro da Fonseca, trecho entre as Ruas Riachão e Aristides Bispo.
Jornal Gazeta de Sergipe nr. 4.897 de 14.10.1974.


Rua Marechal Deodoro da Fonseca, trecho entre a Av. Canal e a Rua Porto da Folha.
Jornal Gazeta de Sergipe nr. 4.894 de 10.10.1974.


Ladeira da Rua Marechal Deodoro da Fonseca
Jornal Gazeta de Sergipe nr. 3.206 de 31.05.1967.



Meu avô Antonio Brito, ao mudar-se de Itabaiana para Aracaju, residiu nos primeiros anos na Rua de Estância, quase esquina com a Avenida Pedro Calazans. Com o tempo, adquiriu um grande terreno na Rua Marechal Deodoro da Fonseca, Bairro Getúlio Vargas, no trecho compreendido entre as ruas Marechal Floriano Peixoto e Riachão, onde construiu sua casa. Com ele, moravam minha avó Zulmira e os seus sete filhos. Como o terreno era grande, meu avô o dividiu em lotes, e doou para cada filho, para que ali edificassem suas casas.
Atualmente, devido à falta de segurança, muitas pessoas preferem morar em um condomínio fechado de casas. Nós da família Brito, já morávamos em uma espécie de condomínio, com uma grande área de lazer nos fundos, com coqueiros e outras árvores frutíferas. Costumávamos chamar de nosso sítio. As casas não possuíam cercas ou muros nos quintais, o que permitia que todos os familiares passassem de uma casa à outra, sem precisar utilizar a porta da frente. Durante muitos anos, nos fundos da casa de meu avô, existiu um poço com uma bomba que puxava água para servir à casa e a muitos moradores da Rua Marechal Deodoro e adjacências, incluíndo-se aí os da Comunidade da Maloca, que hoje é reconhecida como um Quilombo Urbano.
A respeito da Rua Marechal Deodoro, quem passa hoje por ela, nem imagina como ela era há 30 anos: de piçarra, com muitos buracos e o esgoto correndo a céu aberto.
Lembro-me de que quando ia para a escola de carro, com meu tio Rui, era necessário passar pela Rua Riachão, para então seguir para o centro pela Rua Laranjeiras. Era impossível para um automóvel subir a ladeira da Rua Marechal Deodoro e daí alcançar a Avenida Pedro Calazans. Vala, buracos e água de esgotos correndo pelo meio da rua. Na época de chuva então nem se fala!
Quando seguia para a escola a pé, me recordo da dificuldade em subir a tal ladeira: a pasta nas costas, a pisada cautelosa desviando das poças para não sujar o tênis que era branquinho, sem falar na subida, que era realmente muito cansativa. Durante o trajeto, eu gostava de olhar para a areia branquinha do morro da antiga Caixa d’água, nosso local de brincadeiras, ideal para soltar arraias e pipas. A antiga Caixa d’água foi construída no Governo de Graccho Cardoso, em 1924, sob o nome de Reservatório Auxiliar do Serviço de Abastecimento de Água da Capital, projetado pelo Sanitarista carioca Saturnino de Brito, no Morro do Cruzeiro, atual Centro de Criatividade. Durante muitos anos era possível ver uma placa fixada em uma residência situada na parte oeste da Caixa d'água, que continha a seguinte informação: Praça Saturnino de Brito. A Praça nunca foi construída e em boa parte do terreno onde se localizava a antiga Caixa d'água, foram construídas várias casas.
O triste aspecto da rua começou a mudar, quando o sucessor do Prefeito Cleovansóstenes de Aguiar (1971-1975), o Engenheiro João Alves Filho(1975-1979), assumiu a Prefeitura de Aracaju. O calçamento finalmente chegou à Rua Marechal Deodoro, com direito a animação feita por um Trio Elétrico no dia da inauguração. Foi uma festa só. Aliás, ela sempre teve um aspecto festivo, graças à iniciativa de alguns moradores, dentre eles, Maroaldo, filho de Seu Duda e Dona Olga. Maroaldo é ex-integrante do antigo grupo musical Bolo de Feira e sempre promove a tradicional Queima de Judas e as Quadrilhas de São João, além de organizar viagens para o interior de Sergipe e outros estados.
Já o Prefeito Viana de Assis (1988-1989), que sucedeu Jackson Barreto, fez questão de mandar asfaltar a nossa querida rua, inaugurando-a com uma passeata, seguida por uma bandinha de música. Viana de Assis tinha morado com os pais nessa rua, em uma residência onde tempos mais tarde funcionou a bodega de Dona Vitorinha. Foi segundo Viana de Assis, a concretização de um sonho antigo, um presente para os moradores da Rua Marechal Deodoro da Fonseca.


José de Oliveira Brito Filho

quinta-feira, 19 de março de 2009

Antiga Estação de Trem de Aracaju

Antiga Estação de Trem e o Armazém Macedo
Acervo pessoal de Ana Medina

Oficinas da Chemins de Fer Federaux du L'Est Brésilien
Album de Sergipe, 1820-1920.


Fachada da Antiga Estação
Album de Sergipe 1820-1920.

Chegada das tropas na Revolução de 30
http://www.estacoesferroviarias.com.br/

Fachada da Nova Estação de Trem - Praça dos Expedicionários
http://www.estacoesferroviarias.com.br/



Antiga Estação de Trem abandonada

GAZETA DE SERGIPE nr. 3.802 de 17-03-1969.




O trem chegou a Sergipe em 1913, como parte do plano de prolongamento do ramal de Timbó(atual Cidade de Esplanada, na Bahia), na linha que ligaria a Estação de São Francisco em Alagoinhas(na Bahia) a Sergipe. A Companhia Chemins de Fer Federaux du L'Est Brésilien administrou a linha Férrea de 1913 a 1935. A partir de 1935 passou a ser administrada pela V. F. F. Leste Brasileiro até 1975 e pela RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) de 1975 a 1996. Atualmente é administrada pela Companhia FCA(Ferrovia Centro Atlântica).
Em Aracaju a antiga Estação de Trem estava localizada próxima ao antigo cais do porto da Rua da Frente, nas imediações do novo Mercado de Aracaju. O trem chegava à Estação pela antiga Avenida Artur Bernardes, atual Avenida Coelho e Campos, onde, na década de 70, ainda era possível ver os trilhos que restaram da linha férrea.
Murillo Melins no seu livro “Aracaju Romântica que vi e vivi anos 40 e 50”, informa que a Estação era uma construção com linhas arquitetônicas simples, como a maioria das estações ferroviárias da época ladeada por extensas plataformas. No alto da fachada da edificação, via-se impresso: 1911, ano da inauguração do prédio, e início do caminho de ferro em plagas sergipanas. Em sua estrutura, constavam as seguintes instalações: Armazém para a expedição de mercadorias; Salões para passageiros de 1ª e 2ª classes; Salão de bilheterias, Salas de Telégrafo, Inspetoria, Administração; Armazém de recepção de mercadorias e uns poucos sanitários.
Murillo Melins informa também, que os trilhos dos trens chegavam até o maior trapiche de Aracaju, o famoso Trapiche Brown, onde os comboios de carga descarregavam as mercadorias que chegavam, e carregavam açúcar, sal, coco e outros produtos que tinham vindo nas canoas, barcaças e saveiros, e que seriam exportados para a Bahia.
A Linha Estrela do Norte (Salvador-Aracaju-Propriá) Expresso de luxo com 320km, seguia o seguinte roteiro:
Salvador-Simões Filho-Camaçari-Dias d’Ávila-Mata de São João-Pojuca-Catu-Sítio Novo-Alagoinhas-Entre Rios- Esplanada- Rio Real- Cardeal da Silva- Aracaju- Propriá
Aos Domingos, Quartas e Sextas o trem chegava da Bahia e partia com destino a cidade de Propriá. Ás Terças e Quintas o trem chegava de Propriá e partia com destino a Bahia.
Antes do início da construção das grandes rodovias, durante muitas décadas, as cidades dependiam da ferrovia, social e economicamente. As pessoas aguardavam a chegada do trem com muita expectativa. O ato de ir a Estação e ver os passageiros chegando e outros saindo era motivo de festa. Em muitos casos era a vida de uma cidade.
Na década de 50 uma nova e moderna Estação foi inaugurada na Praça dos Expedicionários, no bairro Siqueira Campos, junto às Oficinas da Rede Ferroviária Federal. O itinerário foi mudado, chegando o trem pela Avenida Rio de Janeiro(atual Avenida Augusto Franco) e seguindo pela Avenida São Paulo e vice-versa. Tempos mais tarde os trens de passageiros foram desativados, ficando somente os de transporte de cargas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

UM RESISTENTE ENTRE NÓS







A Ponte Valentré e a Cidade de Cahors - França.
Cartão Postal - APACOLOR, 1981.





Jacques Siviol na Patagônia - Argentina





Grupo franc "Roland" nas florestas de Saint Germain du Salembre - Dordonha - França.
La Resistance contre le nazisme et le régime de Vichy en Dordogne de 1939-40 à 1945.
Imprimerie Moderne - Périgueux, 1996.



Le corps-franc "Roland" em 1944 - Dordonha - França.
La Resistance contre le nazisme et le régime de Vichy en Dordogne de 1939-40 à 1945.
Imprimerie Moderne - Périgueux, 1996.



Jacques Henri Siviol.




Citação da Condecoração da Cruz de Guerra.






Cerimônia de Condecoração com a Cruz de Guerra em 1947. Jacques Siviol é o que está atrás à direita, esperando para ser condecorado.
POIRIER Jacques R.E. La Girafe a un long cou. Éditions Fanlac, Perigueux, 1992, p 163.







Nesta semana, no dia 10 de março (terça-feira), um Herói irá completar 84 anos de vida. Não é um Herói de revista em quadrinhos ou de filme. Trata-se de um Herói de Guerra, ex-Membro da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que mora aqui em Aracaju. Refiro-me a Jacques Henri Siviol, nascido em Cahors, região da Dordonha, sul da França, que foi agraciado com a “Croix de Guerre”(Cruz de Guerra), uma condecoração militar francesa, na patente de Sargento das Forças Francesas do Interior. A foto recebendo esta condecoração foi impressa no livro: POIRIER, Jacques R. La girafe a un long cou...Éditions Fanlac, Périgueux, 1992 p 163. e o nome citado no livro: ANACR.La Resistance: La Lutte Contre Le Nazisme et Le Regime de Vichy. Témoignages et documents. De 1939-40 à 1945 En Dordogne. Imprimerie Moderne-Perigueux, p. 697.
A Resistência Francesa foi o conjunto de movimentos formado por membros de várias localidades da França, chamados de “Partisans” (partidários, em francês), que não aceitavam a submissão e o colaboracionismo do Estado Francês, durante a ocupação alemã que se iniciou em 1940. As ações dos Resistentes incluíam tarefas como dificultar a comunicação, sabotagens de linhas de trens e explosões de pontes, que atrapalhavam o transporte de tropas e armamentos alemães. Jacques Siviol afirma que com essas ações, a Resistência Francesa contribuiu para desestabilizar a “Grande Máquina” organizada alemã, durante a sua estadia na França.
Com a chegada das Tropas Aliadas no famoso dia D(06 de junho de 1944), deu-se o início da derrota alemã. A Itália de Mussolini caiu e no Japão foi utilizada pela primeira vez a Bomba Atômica (Hiroshima e Nagazaki) e com ela o conseqüente fim da Guerra. A Europa ficou arrasada moralmente e economicamente falando. Na França do Pós-Guerra a situação era difícil. E foi nessa dificuldade que Jacques Siviol embarcou para a África, para trabalhar para o Governo Francês, em um Órgão semelhante ao nosso DER, abrindo estradas pelo interior da Costa do Marfim, então Colônia Francesa. Mas, segundo ele, os movimentos de Independência começaram a surgir na África, o que o levou a seguir os passos de seus compatriotas, vindo de navio para a América do Sul, mais precisamente para a Argentina. Da Argentina vai ao Paraguai, onde residiam franceses amigos seus. Do Paraguai finalmente chega ao Brasil: Paraná e depois São Paulo, onde trabalha em uma oficina mecânica, de propriedade do francês Jean-Pierre Le Roch, que anos depois ao retornar à França, criou uma Rede de Supermercados – Intermarché – considerada atualmente uma das maiores da Europa. Como um cigano, Jacques Siviol resolveu voltar para a África. Por sorte, o navio em que embarcou saía do Porto de Santos e fazia escala em Salvador, antes de atravessar o Atlântico. Foi aí, chegando pela manhã na Baía de Todos os Santos, que a sua vida iria mudar mais uma vez. Tudo o que ele queria estava em Salvador: O sol, o clima e a alegria do povo baiano. Foi para a África e voltou na semana seguinte para Salvador. Mecânico que é(trabalhava desde jovem com o pai em uma oficina e fez curso técnico em mecânica na França), trabalhou em algumas Companhias e mais tarde montou a sua própria oficina mecânica: A Oficina Paris. Tempos depois conheceu um francês que veio a ser um dos seus melhores amigos, Fernand Delaferté, que o convidou a trabalhar na Companhia Schlumberger, que prestava serviços à Petrobrás. De Salvador, foi trabalhar por 02 anos nesta mesma Companhia na Argentina(Patagônia). De volta ao Brasil, foi para Maceió. Quando o Petróleo foi descoberto em Sergipe, chega finalmente a Aracaju, ainda trabalhando na mesma Companhia. Em 1978, foi convidado a trabalhar na Samam Diesel, como Chefe da Mecânica, quando da chegada em Sergipe, dos caminhões FIAT. Nesta brincadeira, como ele mesmo costuma dizer, são 42 anos de Aracaju.
No momento, Jacques Siviol, com a sua experiência, diz estar muito preocupado com o Brasil e o mundo, principalmente depois dessa crise econômica. Ele comenta que, após a Segunda Guerra Mundial, vários foram os progressos no mundo, e que trouxeram muitos benefícios para a humanidade, mas, infelizmente apesar de todos esses recursos, os homens não aprenderam nada, continuam a cometer os mesmos erros.
Esta é uma pequena homenagem a um homem que, aos 17 anos de idade, viu a Guerra bater à sua porta. Não foi convocado pelo Exército Francês para lutar, o fez por conta própria, na clandestinidade, com o propósito de defender o seu país. Que isso sirva de exemplo para nós, para que saibamos lutar pelo nosso país, contra os possíveis inimigos externos e internos. Parabéns Jacques Siviol.


José de Oliveira Brito Filho
Professor de História




Artigo publicado no Jornal Cinform nr. 1352 de 09 a 15 de março de 2009.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O BONDE EM ARACAJU

Bonde puxado por burros.
BARRETO, Armando. Cadastro industrial, comercial, agrícola e informativo de Sergipe, 1953.


Bondes Funerários.
CHAVES, Rubens Sabino Ribeiro. Aracaju pra onde você vai? Aracaju: Edição do Autor, 2004.


Bondes na Rua João Pessoa.
MELINS, Murillo. Aracaju romântica que vi e vivi anos 40 e 50. 2a. ed. Aracaju: UNIT, 2001.



Bonde dos Namorados.
MELINS, Murillo.Aracaju romântica que vi e vivi anos 40 e 50. 2a. ed. Aracaju: UNIT, 2001.


No final do século XIX, as ruas de Aracaju eram constantemente inundadas e a locomoção pela cidade e seus arredores, era feita através de carros de bois, cavalos e burros.
No início do século XX, em 1906, a Empresa J. Cardoso inaugurou o serviço de Bonde puxado por dois burros, contendo 05 bancos para os passageiros. Em 1926 o Bonde Elétrico chegou em Aracaju.
Murillo Melins em seu Livro Aracaju Romântica que vi e vivi Anos 40 e 50, nos informa que até o início dos anos 50, Aracaju era servida por bondes elétricos de procedência alemã.
Ele nos informa também, que existiam 06 linhas de bonde em Aracaju. Através de um grande número impresso na frente do bonde e um placa indicativa da linha, era possível identificá-lo, mesmo de longe.

As linhas de Bonde eram:
01 - Bairro Industrial, 02-Santo Antônio, 03-Aribé (atual Bairro Siqueira Campos), 04-Bairro 18 do Forte, 05-Circular e o 06-Joaquim Inácio - que servia a algumas ruas do centro da cidade e do Bairro 18 do Forte.
Era uma época em que existiam poucos veículos e as pessoas sabiam de cor as placas dos mesmos. Com o passar do tempo, foram surgindo novas ruas em Aracaju e a consequente necessidade de um transporte moderno que atendesse a demanda da crescente população. O serviço dos Bondes já não era suficiente.
Murillo Melins acrescenta que quando os Bondes foram desativados, a cidade ficou mais triste.
Infelizmente nenhum exemplar do Bonde Elétrico foi preservado em nossa cidade. Para onde foram os Bondes? O que fizeram com eles?